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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Espelho


Às vezes eu me pergunto o que motiva as pessoas a tirarem fotos na frente do espelho. Sim, eu me incluo nesse plural e não sei a resposta. A sensação que eu tenho é que, ao bater a imagem refletida no espelho, tenta-se aprisionar a personificação do que se é. Haverá sempre uma sensação de familiaridade na feição do ser refletido, não importa quantas mudanças se operem .

No meu caso,os meus olhos continuam os mesmos. Não importando quantos anos eu tenha na imagem. Ok, as minhas feições mudam, mas há um algo indefinido nos meus olhos desde a idade mais tenra até hoje. Nenhuma mudança nesse sentido durante quase 17 anos.

Sim, eu realmente acho que os olhos são a janela da alma - ou o espelho.





"I'm going trough changes" - Changes - Black Sabbath

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Apenas um soneto (6)


Eu quero estar escondida,
Como uma semente embaixo da terra.
Pelo menos uma vez na vida,
Não quero me encontrar perdida.

"Nada sei!" - minha consciência grita,
Estou com medo - minha voz berra.
O tempo é escasso antes que
Eu vá parar embaixo da terra.

Erros são comuns, trazem evolução.
Quase sei que para mim não há solução.
Sem armas ou pedras,com dedos na mão.

Eu quero um esconderijo quente e seguro
Um lugar onde eu não precise estar no fundo,
Um lugar onde eu possa lutar apenas com punhos

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O cordão da bola preta.


No último sábado fiz algo inédito, algo que nunca achei que fosse fazer: fui a um dos blocos de carnaval mais tradicionais do Rio de Janeiro. Eu simplesmente não sabia como agir. Não sabia se pulava e cantava com a mesma alegria que os outros, ou se sorria sem esperar por motivo , ou ainda se ficava com algum tipo de nojo por estar em uma "muvuca" cheia de gente suada.
Até que foi divertido pela companhia que tive no meio daquele tumulto. Entretanto, com frequência nas horas em que estive lá me senti uma intrusa, uma desconhecida no meio de uma velocidade que não era minha. Não estou acostumada a rir à toa, pular , cantar ou exercer qualquer tipo de ação sem refletir algumas vezes antes.
Não, eu não estava fugindo do bloco, mas a formação dele se parece com uma onda que pretende impor algum tipo de felicidade e satisfação.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Só.

Há tanto tempo não me sentia tão só. De dia, rodeada pelos que amo; À noite, lutando para não ser engolida pelos livros e devorada pelas paredes do quarto.
A lista telefônica cheia de números nunca me pareceu tão vazia. Os telefones que tocam não são atentidos, não há mais aquele reconforto na voz familiar. Não há mais risada espontânea para me relaxar. Tensa e torta , uma semimorta. E eu ainda procuro o sentido oculto que as coisas não têm.
O mais estranho em tudo isso é que a cada dia que passa é como se uma nova Bárbara brotasse aos poucos.Aquela que estava tentando quase com sucesso ser doce está com a língua mais e mais ferina.Não, não é recalque. È apenas a doce sobriedade de alguém que finalmente acha que está entendendo a realidade.
È, ao que parece o meu humor é só aquele que vem no frasco.