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sábado, 27 de junho de 2009

A weird.

Eu não consigo exibir com tanta facilidade assim esse sorriso contente.Eu não tenho essa multipolaridade permanente.Eu me estresso com esse perfeccionismo repetitivo, eu me irrito com as minhas expressões desgastadas. Eu me sinto extremamente só, como se meu id estivesse levando a melhor.
Essa angústia melancólica me parece tão estranha que eu acabo esbarrando nas minhas tendências auto-destrutivas.Nunca minha emoção esteve tão a flor da pele, as lágrimas prontas para brotar à qualquer ínfimo e estúpido sinal.
Essas emoções são tão estranhas que parecem fazer parte de uma orgia sentimental.Sou uma estranha para mim, sou alguém que tem andado isolada, alguém que repetitivamente tem se achado um pedaço de nada.
E eu acabo de confundir um cubo com um cilindro.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Born to be wild.

Eu me sinto completamente vazia.Neste momento estou solitária, irritada e perdida.Me sinto deixada de lado, sinto como se carregasse mais peso que um cavalo.
Está ficando difícil aguentar, meus limites estão sendo testados ao extremo.Quando eu percebo isso eu,tremo.
Eu odeio ouvir essas risadas, eu odeio olhar essas caras de babacas. Eu odeio essas brincadeirinhas infantis, pior, odeio que eles falem como se conhecessem a mim. Odeio,odeio isso! É como se eu estivesse presa em um sonho bizarro. Ultimamente vigília e sonhos têm se confundido.

domingo, 14 de junho de 2009

O som do coração.

Músculo oco,estriado,cardíaco. Bate em movimentos de sístole e diástole por pessoas,animais e até mesmo atividades.É do tamanho do punho fechado de seu dono,mas nele cabe o que quiser - em qualquer quantidade.
Ele pode estar apertado,ele guarda os amigos,pode estar calejado,pode ser sofrido.De pedra ou manteiga constituído.
Ele sabe de tudo,sempre sabe.Ele bate mais rápido ou fraco à sua própria vontade,palpita à imagem de uma doce lembrança. Quando desiste de bater leva consigo a temperança.

domingo, 7 de junho de 2009

Cecília.


Era uma vez uma menina de traços muito comuns chamada Cecília. A vida dela era inacreditavelmente monótona e atarefada. Seu casal de irmãos mais novos eram sempre priveligiados por seus pais superprotetores e controladores. Ela não aguentava a infantilidade deles, ela não aguentava ter seus momentos privados interrompidos por gritos e ruídos causados propositalmente por eles.
Cecília era perfeita em tudo que fazia.Seu quarto era arrumado, guarda-roupas, gavetas tudo na mais perfeita ordem. Suas notas? Não eram impecáveis, mas a qualificavam como uma excelente aluna. Sempre adotava linhas de raciocínio incríveis e inovadoras, tinha ideologias belas... E não colocava nada em prática. Cecília muitas vezes tinha uma espécie de bloqueio para se expressar, ela era cerceada por seus pais em tudo que fazia. Eles a obrigavam a escovar os dentes com água mineral e se ela não fizesse isso era um motivo mais que válido para uma grande briga e um castigo ainda maior.
Ela não fazia suas escolhas sozinhas,não porque não quisesse mas porque seus pais não deixavam. Ela estava cansada daquela família pseudoperfeita, que só mostrava essa "perfeição" a quem estava de fora. Cecília se sentia vazia e sozinha, muito sozinha.Cada vez mais se isolava, nem mesmo na companhia de seus amigos interagia. Tinha crises de pânico, cada vez mais frequentes e as lágrimas sempre prontas para brotar assim que soasse o mais estúpido sinal.
Resolveu que queria aprender a tocar violino, começou razoavelmente bem, como qualquer outra pessoa desprovida de ouvido musical começaria. Mas as aulas eram quase caras e seus pais resolveram que ela não as faria mais.Ela então, abandonou o violino e junto suas efêmeras alegrias.Foi aí que se apaixonou.Ele era lindo, perfeito, parecia saído de algum devaneio. E incrivelmente parecia gostar dela. Acontece, que existe vários tipos diferentes desse estranho ao qual chamamos de amor.Os amores que eles sentiam eram incompatíveis. Mais uma vez, Cecília foi rejeitada.
Seus pais enxergavam como frescura a sua tristeza. E ficavam muito irritados com as respostas que ela dava.Quando era questionada sobre a motivação da sua tristeza, respondia: - Édipo não sabia de nada e mesmo assim furou seus olhos.
Seu desespero aumentava, até que finalmente decidiu se livrar da culpa que não era sua.Cecília se matou e hoje, seu sofrimento continua no umbral.