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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Doce Deleite.

A menina saiu da escola mais cedo.O vento frio e cortante a obrigou enrolar os cabelos,fechar o casaco e colocar o capuz.Segurando a mochila firmemente,começou a caminhar como se pudesse ser derrubada por um sopro mais forte de vento.
Logo chegou a casa dos seus avós,sentido-se,pela primeira vez no dia,satisfeita.A visita durou pouco mais que duas horas e,a essa altura,o vento ameaçador tornou-se uma chuva fria e perigosamente contínua.Tremendo de frio,ela saiu,da varanda para rua.Atravessou-a rapidamente e foi aconchegar-se em algum canto obscuro do ponto de ônibus,onde alguns ilustres desconhecidos falavam sobre a demora do ônibus para o centro da cidade.
E,de fato,o ônibus estava demorando.Durante sua espera,clarões várias vezes cortaram o céu.Ela estava se divertindo com a chuva que batia no asfalto,até que um ônibus veloz fez com que aquela água que formava poças voasse em direção as suas pernas e pés.Irritada,soltou um alto e sonoro palavrão.As pessoas no ponto disfarçaram as risadas com tossezinhas secas.Logo depois,seu ônibus chegou.
Passou pela roleta com agilidade e sentou-se em um banco que tinha ambos os lugares vagos.Havia uma bela menininha com a mãe alguns lugares a frente,e ela deleitou-se ao observar as travessuras da pequena.O engarrafamento,no entanto,quase lhe tirou o prazer da viagem.Suas narinas entupidas protestavam por estarem expostas ao frio e,aos poucos,ficavam mais congestionadas,se é que isso era possível.
Isso não significou nada quando lembrou-se dos quadradinhos de doce-de-leite que trazia na mochila.Mordiscou um com vontade e,logo após,não tinha boca,mas também olhos mais doces.Observou as árvores e as luzes da cidade com encantamento.E,quando o trânsito voltou a fluir,ela decidiu parar de indagar a razão pela qual o motorista abria e fechava a porta sem cessar.Nada mais importava,havia chegado ao seu destino.

Um comentário:

Isa disse...

adorei o jogo de palavras! igualmente o texto