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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

2011

 Eu sempre planejo meticulosamente minhas resoluções de ano novo.
 As escrevia em tópicos,antigamente. Mas,finalmente, acabei começando a achar que listas são esquemáticas e inflexíveis demais para algo tão bizarramente adaptável como a vida.

Eu espero muito de 2011. Muito. Em 2011 literalmente começa a lapidação de um dos meus maiores projetos de vida,aquele,que se eu não completar vai me deixar frustrada até o dia de minha morte: o intercâmbio durante a graduação.

É um sonho,sim. Penso nisso desde os dez anos de idade,e tenho lutado contra todas as dificuldades para concretizá-lo em 2012. Estar buscando por algo sozinha,sem nenhum apoio concreto ou incentivo emocional é estranho. Não vou dizer que dá vontade de desistir,mas o medo me engolfa por vezes. Eu tenho dezoito anos e há dois tenho pesquisado programas de bolsas de intercâmbio em grandes universidades (é,quero que seja para uma universidade reconhecida),pacote de viagem e burocracias em relação a documentos. Estou planejando tudo sozinha.Então eu quero que todo esse suor tenha valido alguma coisa em 2011,quando vou participar dos processos seletivos.

2010 foi um ano memorável. Comecei como caloura na melhor Universidade do Rio de Janeiro (#ufrjrocks),descobri que posso ser sim minimamente sociável e que,apesar de ser sempre a mais estressada,sou muito competente. Esse ano pós ensino médio elevou a amizade a outros patamares e não me atrevo a dizer que tudo está como antes porque está melhor.

Aprendi muita coisa com 2010 e,apesar das minhas resoluções serem muitas,meu pedido para 2011 é simples: Querido,você não precisa me ajudar,é só não ficar no caminho atrapalhando. Porque eu estou bastante inclinada a passar por cima.

Que 2011 seja um ano que te ensine a lidar com o que você não consegue. Superando as dificuldades e lutando por objetivos é que nos tornamos grandes!

Feliz ano novo para vocês,leitores queridos.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O violinista.

No calor de 40 graus,o músico bonito
Toca seu violino mágico balançando
Seus cabelos de Jesus Cristo.

No meio da rua seu som compete
Com o ruído dos carros,o grito dos camêlos,
Que ousam tirá-lo de seu lindo torpor.

Sua música me acompanhou muito além
Da suja avenida.
Aquelas notas doces irão sempre tocar
Em minha vida.


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O querido violinista não é fruto de uma alucinação. Ele de fato estava tocando na Avenida Amaral Peixoto. Sua música foi um presente para os moradores de Niterói. Os passantes sortudos,no entanto,não lhe deram nem mesmo migalhas de atenção.


Os versos vieram. E foi só isso. Não sei nem mesmo de onde saiu a comparação com "Jesus Cristo".

sábado, 11 de dezembro de 2010

Absolut(amente)

 As luzes pulsam,coloridas
 O som alto desafina,nos meus ouvidos
 Enquanto os outros corpos não param de se esbarrar.

 A luz forte dilata minhas pupilas,o movimento incessante
 Faz meu corpo suar.
 Olhares se cruzam,pernas também.

 Há muitos que estão bêbados,
 Na esperança de ser alguém.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Selos






























Olá,leitores queridos!

O Efusão Lírica ganhou incríveis selinhos do blog Mundo Jovem (aliás,o recomendo fortemente).


Para aceitar os selos,aqui vão as regras:





- Agradecer a quem me deu esse prêmio. 
- Partilhar 7 coisas sobre mim.
- Escolher 10 blogs para presentear com o selo. (sim,eu sei que só escolhi 6)


Báah's list:
1- Sou bastante emotiva por baixo da frieza escorpiana.
2- Gosto de algumas coisas mainstream.
3- Sinto uma atração bizarra pela autodestruição.
4-Não consigo demonstrar meus sentimentos com a frequência que gostaria.
5- Sinto muita saudade dos meus animais de estimação durante a semana.
6-Tenho um medo bizarro de qualquer coisa que tenha 4 patas e seja maior que eu.
7- Sou muito gentil com pessoas que eu não conheço (como aquelas que pedem informações na rua)

Blogs Sortudos:

domingo, 28 de novembro de 2010

Virginia.

  Ela retornou a cama sendo seguida por um cheiro misto de sabonete e shampoo. Os cabelos caíam pesados, molhando uma camisa emprestada que lhe caía como um vestido. Ela deitou na cama desarrumada esperando aproveitar  o que havia sobrado das sensações das últimas horas.
 Não foi amor. 
 O amor é complicado,é arredio e cínico como o duende que se diverte dando nós em fones de ouvido. Amar é para os fracos incapazes de,em algumas situações,colocarem os próprios sentimentos em segundo plano.
Foi poético,humano,selvagem. A simplicidade revelou a beleza,os cheiros,o sujo. 
 Olhando para onde há pouco estava o contorno do amante adormecido,Virginia chegou a conclusão de que o melhor lirismo é aquele que termina em gozo.
Pelo menos na prática.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Porre de catu (inquietações)

Eu me peguei olhando escritos antigos. É,sou adepta do boa e velha folha de caderno,da lapiseira,da caneta que falha. É muito estranho ver tudo aquilo que já fez parte de mim. Não me identifico mais com muitos sentimentos e,em alguns casos,sinto uma tremenda vergonha.
O que houve em mim foi uma evolução absurda,não por ter me tornado alguém melhor,mas por ter me tornado alguém,.Por hoje,apesar de não saber me definir,saber enxergar onde estão os meus contornos e que limitações eles me trazem. Não acho que essas observações vão fazer  muita diferença para alguém que não seja eu,mas quanto mais distantes ficam as sensações dos meus treze anos,mais claras ficam outras coisas.
Não desprezo de maneira nenhuma o que senti,seja com essa ou com qualquer outra idade.Por ter sobrevivido a essa fase sem mudar por pressões externas pra me tornar mais comum, eu posso dizer que aprendi a lidar melhor com as minhas muitas inquietações e "suicide feelings". Me incomoda  falta de impulsividade que percebo toda vez que me analiso,mesmo.
Todas as minhas atitudes são calculadas,quase milimetricamente. Isso é perturbador não porque eu já admito ser assim,mas porque isso é exatamente o que a maioria espera de mim. E isso é algo tão incutido em mim que não gosto de pensar na possibilidade de desapontar quem nutre todas essas expectativas sobre mim,afinal,não são quaisquer pessoas.
Eu queria ser capaz de roer todos cordões umbilicais e ir tomar um porre de vodca em Amsterdam enquanto faria pole dance. Mas cometer qualquer trangressão social me parece mais perigoso que uma dose de dipirona (sim,sou alérgica a dipirona).
No entanto,eu ainda tenho que ouvir que isso não são inquietações e que eu só preciso de um pouco mais de ação na minha vida.

Alguém avisa que não estamos em um livro.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sobre a verdade.

A verdade é transparente,vermelha. Ela se revela em sangue e tripas,e é simples,muito simples,ao contrário do que se pensa. A verdade se pronuncia através da voz trêmula,através da lágrima que cai para manchar o papel.

A verdade é feia,tem muitas cicatrizes,resquícios das outras faces arrancadas dela mesma.Ela é a velha banguela de verruga no nariz. A verdade é plena no fim,não no começo. O fim é sempre o mesmo,sem distinções ou floreios literários,no fim,tudo se transforma em pó.

domingo, 3 de outubro de 2010

29% de cálcio

 Eu chego tarde do trabalho
 E tomo o meu leite com achocolatado
 Enquanto assisto a
 Uma reprise qualquer na tv.

 Meus pés cansados anseiam por chinelos
 E a minha mente por uma noite de sono.
 Que não vai me fazer esquecer dos flagelos
 Dessa realidade que não tem nada de sonho.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Comunicado.

Leitores Queridos,


A minha rotina tem sido insana e,por isso,tenho estado tão lamentavelmente ausente. Não haverão postagens no mês de setembro.
Isso não quer dizer que abandonarei o blog às ervas daninhas. Continuo comprometida com a literatura,mas,no presente momento, preciso me organizar de modo a conseguir compartilhar com vocês o que escrevo sem que isso atrapalhe os meus compromissos "reais".


A minha vida está passando por uma fase de transição e,fico feliz em dizer,estou perto de atingir o equilíbrio necessário para voltar a escrever aqui e no blog do Lápis. A única ferramenta que tenho usado é o meu e-mail (barbara.freis@hotmail.com). Sitam-se à vontade para me comunicar lá.


 Até a primeira semana de outubro!


Bárbara.

domingo, 29 de agosto de 2010

ECO/UFRJ

 "O poema abaixo apareceu completamente formado na minha cabeça quando descobri que oLima Barreto  estudou na Escola de Comunicação da UFRJ e a visitou várias vezes quando era (oficialmente) um manicômio."


  O prédio velho tem tacos macios
  Cujo cheiro de velharia
  Me traz nostalgias dos tempos antigos
  Que eu não vivi.

  Os arcos de pedra que emolduram,
  As paredes cor de rosa descascado.
  Outrora viram o jovem poeta
  Que por aqui já caminhou.

  E hoje,humildemente,eu piso
  No chão da universidade
  Onde Lima Barreto já pisou.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A vida deu um limão.

 A vida me deu um limão
 E eu fiz a limonada suíça.
 Mas o liquidificador a bateu demais,

Tudo ficou misturado.
 E o gosto amargo ficou,
 Palpável na língua.

 E eu encho de açúcar até o fundo da jarra
 Ficar branco.
 Nada muda,nem meu azedume.

sábado, 24 de julho de 2010

Luísa.

 Sossegue o coração dele,Luísa.
 Ele diz que se ajoelharia a seus pés
 Se necessário fosse,se assim você quisesse.

 Sossegue o coração dele,Luísa.
 Ele implora tão bonito com
 Esse sotaque que eu não sei
 Se é hispânico ou italiano.

 Ele diz que fala de amor,que fala de vocês dois,
 Ele diz que só vê você ao lado dele.
 O perdoe,Luísa,escute o que ele diz.

 Se você,no entanto,resolver não escutar
 Ao que ele implora com ardor
 Devolva o que lhe roubou.
 Ele quer a luz de volta,Luísa.



Essa poesia deveria ser uma bela crônica. Mas as palavras se perderam no caminho e,quando fui escrever,elas tornaram-se versos. A ideia me surgiu quando,no ônibus,escutei um senhor(Ah,os cabelos brancos.) ,ao celular, implorarando a volta de sua mulher,num sotaque que eu ainda não entendi se era hispânico ou italiano.Eu sei que ele,no fim de cada frase ele dizia "Luísa".

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dia dos amigos.

 Todo ano,desde que descobri a existência dessa data,preparo algo para o dia dos amigos. Minhas homenagens,claro,sempre são singelas se comparadas a importância que os meus amigos têm para mim.Afinal,que outros seres seriam capazes de desculpar alguém que se atrasa uma hora e meia para a comemoração do próprio aniversário?Com quem mais eu dividiria filmes ruins,pontos de ônibus e escadas rolantes? Quem mais faria velhos hábitos não mudarem nunca?
 Começo a pensar que talvez a amizade seja o talento de tornar pequenas ações memoráveis e de importância imensa,como se a vida fosse ser sempre uma cerveja tomada em uma praça em uma noite de outono ao som de blues. Acho que a questão não é reconhecer somente aqueles que estiveram presentes em momentos difíceis,mas aqueles que se colocam disponíveis de modo claro e objetivo. A sensação de poder contar com alguém independente de precisar é que traz o título de amigo.
 Enquanto penso no que escrever,lembro dos queridos companheiros literários.De todos eles,não apenas daqueles que estão no mesmo estojo que eu. A leitura,os comentários acabam forjando uma relação profunda e pouco perceptível porque,mesmo sem saber,por vezes lemos os anseios mais íntimos uns dos outros. E,só para constar,quem nos conhece com tal profundidade,só pode ser um amigo. Ainda que para isso a amizade precise acontecer em níveis diferentes.
 Acho que o acaso se encarrega de coisas como tornar um engarrafamento agradável com a presença de um amigo (leitores, a hora do rush na ponte rio- niterói é um inferno.) Até meu comentário em itálico me lembrou um amigo,acho que ele ainda está procurando por hell. Ah,como foram doces os sonhos da pré adolescência e as fotos divididas nos inúmeros fotologs da vida. A tecnologia é uma aliada da amizade,acho.Como se fariam contatos diários com quase todos aqueles que estão nesse texto sem twitter ou messenger?
 Uma fila enorme para a estreia de um filme que tem por trilha sonora garotinhas aos berros só foi suportável por que ali existia uma amiga.Há quem o a distância usa de artifícios para manter ausente,mas isso,não importa,porque,como é mesmo? Ah,sim,somos escorpianas,baby!
 E ano que vem eu falarei da primeira década que foi completada e mais uma vez vou lembrar daquela que está sempre presente na minha playlist e toda vez que vejo um livro de história. E eu vou lembrar também do meu personal philosopher (haha) e da cara de criança feliz no fastfood há tempos atrás,do suco com um ingrediente suspeitosamente nojento,do livro que foi publicado,da amiga com jeito doce, da personal photographer (ahazaremos em sp!) e dos muitos sapatos experimentados em loja.
 Há os amigos que não foram feitos,mas reconhecidos. Há aqueles que fizeram do ensino médio uma casa com muitos irmãos.Há aquela que vai ser über e há quem transformou o meu dia com 120% de caracteres doces e há também quem vai sempre ser a minha sumida favorita.
 E,claro, há quem nunca vai te deixar esquecer que a lição biológica mais importante do ensino médio foi a de que "os bicho não se abre".


"Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências.. A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,embora não declare e não os procure. ”


       Guys,you're so fucking special.

sábado, 26 de junho de 2010

Sobre maçãs.

  Eu não sabia como começar esta crônica(?). Na realidade,depois que o fato passou eu achei o seu relato quase simples demais.
 Era domingo,pouco antes das 23hrs e eu já estava de pijamas,confortavelmente sentada no sofá dos meus avós,assistindo a televisão e rindo de mais um dos comentários astutos do meu avô. Mais cedo,naquele mesmo dia,logo após a minha chegada,minha avó avisou que havia comprado maçãs.Lindas,rubras,mas maçãs apenas. Eu havia acabado de perder os óculos e as maçãs não corrigiriam meus seis graus de miopia.
 A tarde passou e eu ,durante toda ela,me mantive de óculos escuros que eram,afinal,os únicos que eu tinha de grau igual aos do queridinhos perdidos. A dor de cabeça causada pelos óculos escuros usados à noite atingiu seu auge quase às onze da noite,praticamente no mesmo momento que relatei no primeiro parágrafo,quando ri do comentário do vovô,naquele momento,minha avó declarou que ia comer uma maçã.
 O leitor deve estar se perguntando o que há de tão interessante em uma senhora comendo uma maçã. Isso,eu descobri: tudo. Ok,talvez seja exagero,mas eu aprendi muita coisa com aquela atitude simples. Minha avó pegou a maçã,a cheirou e,verdadeiramente,houve um brilho diferente em seus olhos. Ela caminhou na minha direção e disse: "-Tem coisas na vida que a gente não esquece nunca. Quando eu era criança,nós não tínhamos dinheiro para comprar maçã e,no natal,na igreja onde meu pai nos levava,eles distribuíam brinquedos e... maçãs. Acabou que eu não continuei ligando muito para o cheiro depois que pude comprá-las."
 Eu senti meus olhos marejados. Levantei,então,e peguei uma maçã. Eu a lavei como se tivesse em mãos um cristal raro e frágil,como se aquela fosse a última maçã do mundo.Para mim,sua cor estava entre o vermelho e o dourado.A mordi. Estava macia,suculenta e extremamente doce.Eu finalmente entendi o que era vontade de comer,cada mordida foi dada como se o mundo fosse acabar no minuto seguinte e aquela fosse a forma de escapar disso. E,naqueles instantes,eu não comi só por mim. Eu tentei comer por cada um que a teria cobiçado sem poder levá-la para casa.
 Aquela,talvez tenha sido a melhor maçã do mundo. E eu quase não a comi por causa de um drama,literalmente,míope. O que prova mais uma vez que os óculos (escuros ou não) não corrigem o tipo mais grave de miopia. Doce sim,muito,mas com o fundo levemente amargo. Consegue imaginar isso? Foi o gosto daquela maçã.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Desabafo

 Na realidade,o que há,são muitas pretensões,muitas folhas soltas de um mesmo bloco mal colado.Quando tudo ficou tão complicado? Não sei.
 Aliás,se eu soubesse de alguma coisa não teria deixado nada chegar a esse ponto.O relato é cruel,verdade,mas necessário. A dor é,afinal,necessária. Nascer sem respirar a dolorosa lufada de ar? Crescer sem cair e se ralar? Morrer sem sentir as dores da velhice? Mais uma vez digo,caríssimos,a dor é necessária.
 Depois de tudo isso,entendi que um coração dilacerado nada quer dizer. É o cérebro sadio que comanda.Um coração fraco,partido,mal resolvido tem que obedecer às ordens do jeito que puder. E isso,não é negociável.

domingo, 30 de maio de 2010

Não Consigo.

Não consigo rir,como essa gente incoerente
Não consigo dançar esse ritmo pouco inocente.
É impossível me comportar com pouco comprisso,
Não consigo,não dá.

Minha tentativa de esquecer meus valores é sempre vã,
E a pesar de tudo,essa vida monótona e visceral
Mantem-me sã.
Mas esquecer das minhas verdades e opiniões?

Não consigo,não posso,não dá.
Prefiro a morte,o ócio.
Prefiro poder esquecer que a minha coerência
É chamada de macambuzice.




P.S: Caros leitores,espero que vocês gostem desse poema(?) mais que eu.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Versos breves.

Eu quero ser fútil e frívola,
Preciso encontrar em meu exagerado desespero
Alguma distração para agonia.


(E me sinto profundamente consumida por algo que não existe.)

sábado, 8 de maio de 2010

Lamy.

Escrita macia,suave.

Azul único.

A cor amortece o sentido das palavras

Mentira.

Amortece os sentimentos.

Acabou a poesia.

terça-feira, 27 de abril de 2010

IDentidade.

Minha identidade está refletida no espelho.
Mas,para aqueles que perguntam,
Ela é só mais um número de registro no governo.

Para mim,ela é um degradé de cinzas
É densa como petróleo.
Mas o observador só vê o brilho do linóleo.
Da minha poça azul petróleo.

Pobre identidade!
Ela esconde a minha verdade
Sob falsos pretextos,argumentos e falácias.

Mas o meu ID a abrevia
E vilmente me controla,
Enquanto a vida mostra-me vias
E o desespero me assola.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Heartbreak Station.


A ordem da minha pouca sanidade é clara:

Expelir você da minha mente

Do modo como eu faria

Com uma pedra no rim.


Eu canto,digo em voz alta

E repito.

O meu mantra,

É uma heresia.


Me pego cantarolando que você

"Tomou um trem" para fora

Do meu coração.


E eu posso usar metáforas,

Abusar das comparações,

Mas nada é complexo o suficiente

Para definir você.


No fim,o que eu queria,

De verdade,

Era me contentar apenas com

Um aperto de mãos.


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Queridos leitores,perdoem a minha pieguice.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cléo.

Parece um motorzinho sobre quatro patas,
O nariz úmido e rosado
Da malabarista que gosta
De se enfiar em buracos.

Ela brinca,pula e rola,
Sacode-se perseguindo qualquer coisa
Ao léo.
Não é o superman,nem um avião.

É a minha gata,Cléo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Plástico Bolha.

Ela estava sentada na varanda. A cabeça baixa,os cabelos brilhantes cobrindo-lhe os olhos curiosos.
Estourar compulsivamente o plástico bolha lhe rendia um prazer imenso. Romper cada círculo de plástico,para ela,tinha um significado incrível. Ela se perguntava como seria se pudesse romper cada bolha habitada por seres humanos,o quão diferente as coisas poderiam ser.
O plástico,depois de rompidas as bolhas,ficava uniforme - ou quase.Você prestaria mais atenção ao próprio plástico,não as centenas de bolhas macias que clamam por um aperto. Na realidade,seria a melhor forma de distorcer o conceito "world as one". Porque as marcas permaneceriam. Não seria tão uniforme assim,as chagas continuariam lá,redondas,sem as bolhas que antes as protegiam.
Alice colocou uma mecha dos cabelos atrás da orelha e ergueu a cabeça. Talvez,se ao invés de deixar o plástico "uniforme" estourando as bolhas,essas,tão fortemente mencionadas,fossem mais maleáveis,tudo se resolvesse.Isso! Essa era a solução. Não rompê-las,mas uni-las e formar uma única grande e forte bolha,de modo que as chagas permanecessem protegidas.
Mas,e os habitantes das bolhas? Alice se perguntou,e estava pronta para continuar as divagações,mas uma vozinha no fundo da sua mente disse que nada,nunca seria como um país das maravilhas e que,se ela quisesse melhorar das bolhas ao mundo,deveria passar a se chamar Poliana.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Olhos Claros.

As linhas marrons da folha
Confundem meus olhos míopes,
Tão limitados.

Esse tom de bege
Me lembra seus olhos
Castanhos,verdes,claros.

Olhos que me observam com candura
Enquanto refreio meus
Tímidos sentimentos.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Métrica Alcoolizada.

Sua presença é forte como jazz ritmado,
Embalado pelo queimar
De algum destilado.

Você me coloca à sombra
Do mesmo modo que o rum faz
Com o sabor do abacaxi
E com o açúcar do leite condensado.

E eu odeio o fato
Das diversas baladas melódicas me lembrarem você.
Sem tentar, você é pior que o álcool.

Não basta quebrar minha concentração,
Vedar minha inspiração.
Escrever sobre você é ter
Uma dose de rimas pobres.

E um punhado de esquecimento.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Pelas ruas da Zona Sul.

Caminhando nas ruas bem iluminadas da zona sul
Observo passar o transporte escolar
Repleto de crianças bonitas,bem nutridas
Que são motivo de comoção nacional
Se atingidas por balas perdidas.

Ninguém se importa com as crianças
Do morro que tem vista para a praia
E quando elas crescem e nada conseguem
Dizem que é porque
Fugiram da raia.

É fácil falar do escritório refrigerado,
Ou discutir o assunto regado à boa cerveja holandesa.
Por que a mesma comodidade que venda-nos os olhos
Mergulha outros em tristeza.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O terminal.

Finalmente chegou ao terminal rodoviário.Os semblantes cansados em fila facilmente poderiam representar os muitos outros que passam por ali todos os dias.
Os vendedores,esses sim,são os ilustres desconhecidos de todos os dias. No entanto,as vozes que normalmente anunciam todo tipo de bebida no calor infernal do Rio de janeiro,agora,soam fracas.Como rádio cuja pilha aos poucos se esvai.
O chão,castigado e encardido,está molhado dos pingos de chuva que infiltram o teto e da água que pinga dos muitos guarda chuvas que são sacudidos.Sobre ele ainda há lixo,papéis e inúmeros tocos de cigarro.
Mas não,isso não ilustra a miséria de um ambiente,mas os diferentes níveis da decadência humana. A impaciência torna-se palpável no ar - ou quase. Há muito já foi aprendido que percepções pessoais dos membros da minoria dificilmente são um retrato válido do que se passa com os outros.
A demora é rotina,assim como entreouvir as muitas conversas frívolas. Não leve esses escritos tão a sério.Afinal,ela só tinha 17 anos.




Bárbara Reis-17/03/2010-21:00
Terminal João Goulart/Niterói-Rio de Janeiro.

Centésimo Primeiro.

Claramente eu tenho algo a dizer.Todos temos. Mas,de repente,não mais que de repente,eu sinto um bolo na garganta.A inexpressão.
As dúvidas são tantas,as dores inúmeras e a timidez ainda maior.Não gosto de me expor.E,escrever,é justamente isso.
Seja através de poesias evidentemente confessionais,seja atráves de contos cujos personagens têm algum aspecto da minha personalidade aumentado.
O blog tem um número modesto de visitantes assíduos,é verdade.E um número ainda menor de visitantes que se manifestam.Mas eu nunca,nunca,me senti tão satisfeita com o que escrevo aqui antes.
Não é porque já completei 100 textos(bons,ruins e péssimos) escritos aqui em um espaço de 2 anos,mas porque o meu amadurecimento é tão evidente quando comparo o que escrevo hoje com os primeiros escritos meus que fiz questão de divulgar aqui.
Então,fica registrada aqui a minha vontade de continuar escrevendo,é claro que eu quero melhorar a qualidade da transcrição dos meus pensamentos/sentimentos.Mas sem muitas pretensões,claro.Afinal,das grandes autoras já foram todas,ou quase.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Cotidiano

Jorge afastou o edredom e colocou-se para fora da cama.Moveu-se em passos lentos e pesados em direção a cozinha.
O filete de água bateu no fundo do copo até encher.
Virou-o,sedento.
Fez o caminho de volta na penumbra em que sua casa estava imersa,parou de chofre,na porta do próprio quarto.Há tempos ele não admirava como devia aquela silhueta.O edredom macio cobria o cetim,que costumava cobrir aquele corpo com sensualidade.No entanto,com o passar dos anos,tudo transformou-se em resignação.
Jorge deitou-se de costas para aquela figura. E passou a analisar cada pequeno fato que o tempo cruel fez questão de transformar em rugas.Depois de mais minutos do que ele seria capaz de contar,seu corpo sacudia em um pranto silencioso e intenso,embalado pela friagem que saía do ar condicionado.
Os primeiros raios de sol começaram a forçar passagem através da cortina,o vulto pesado ao seu lado começou a mexer-se. Jorge engoliu um último soluço,secou os olhos e murmurou uma desculpa sobre o travesseiro ensopado.
Foi ao banheiro e encarou a noite mal dormida que forjou-se em olheiras. Um suspiro profundo.
A vida seguiria como nos outros dias.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Como cetim.

As suas analogias esdrúxulas,
Abalam minha intelectualidade.
Seu hábito de dizer verdades pouco inocentes
Devolve-me mocidade.

Rir do que você diz
É esquecer o amor próprio
Ansiar para falar com você
É como ansiar por férias que terminarão em ócio.

Essas estrofes,no entanto,
Nada são se comparadas
Aos fatos.

É que eu apenas
Não tenho coragem
Para admitir que em mim residem hiatos.

terça-feira, 9 de março de 2010

As superfícies listradas.

Chloé encarou a superfície listrada do papel,sua visão ligeiramente obscurecida pelos cabelos negros. Resolveu transformar ,então, um verso esquecido em conto.
As emoções estavam tão espalhadas,distribuídas pelo seu ser,que provocavam um frio na barriga,uma sensação de borboletas no estômago,permanentes.

Chloé começou a divagar sobre a luminosidade fraca que entrava pela janela do quarto.

Eric encarou o violão incrédulo. Os acordes,ainda que belos,se excederam na complexidade,no sentido.
A música deixou de ser um modo de expor o próprio talento. Tornou-se uma confidente,invasiva como uma mãe.Seus sentimentos estavam expostos em uma feira de partituras que corriam soltas,quase livres.
Após algum esforço,terminou uma bela melodia.

Chloé estava maravilhada. Em um jorro súbito de inspiração,transformara aquele verso,pai solitário de um conto,em um poema com forma e esquema de rimas sofisticado. Era,na realidade,bem original.
Do alto do seu encantamento,no entanto,Chloé ainda não sabia que havia escrito a letra de uma canção.

terça-feira, 2 de março de 2010

O basculante.


Leonor pousou a xícara de café. Olhando para céu cinza através do basculante da cozinha chegou a leve conclusão de que não se arrependia de nada que tivesse feito.

Repetiu como um mantra que toda experiência,boa ou ruim acrescentava algo.Então,teve um estalo: A reunião dessas experiências torna cada um o que é.

Inconscientemente olhou para o seu reflexo disforme no basculante. A criatura pálida a encarou de volta.Nenhum traço marcante,nenhum talento,nenhum carisma.Apenas um coração de tamanho razoável.

Levantou-se da cadeira esfrangalhada e caminhou lentamente em direção a pia.

Lavou a xícara.

Sentou-se novamente.

A recente revelação ainda atordoava ao seu ser.

Leonor sacudiu a cabeça como se tentasse expelir algo dela.Divagações a esta altura eram algo inútil.Levantou-se e ruidosamente passou pela soleira da porta. Foi trabalhar.Manter sua vidinha classe média era a razão da sua existência.

Um dia,sua existência inconclusiva,associada à outras tantas faria algum sentido completo.

Ou não.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Marina.

Marina resolveu sentar-se no banco de madeira à sombra da florida acácia amarela. A brisa de primavera brincou com os seus cabelos e fez cócegas na sua face.
Seus olhos sonhadores contemplaram cada pequeno detalhe daquele parque mal cuidado,dos muitos gatos às mães que com muito custo tentavam controlar seus filhos,às senhoras miúdas e muito enrugadas que jogavam milho para os pestilentos pombos.
De repente,passou a carrocinha da pipoca e,na superfície metálica Marina encarou seu reflexo pálido.Na sua imagem apenas os olhos brilhavam,todo resto era apenas um borrão de cores indefinidas e não catalogadas.
Houve então uma reviravolta súbita.A brisa parou por um instante.
Marina levantou-se.Decidiu-se.
A vida subitamente pareceu curta demais para se lamentar e ela resolveu,então,que o caminho para a satisfação começaria por um picolé de uva.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A música alta causa confusão a verdade,entretanto,é que não existem bons argumentos que justifiquem a inexpressão. O som das guitarras,o tom dos gritos faz surgir uma vontade de gritar a letra o mais alto que eu puder,de pular ensadecida.
O estado dos meus tímpanos pouco importa. O que eu quero é ouvir esse rock por vezes sujo e mal acabado.Talvez eu sinta falta dos tempos de pré adolescente,da paixão súbita por pessoas,bandas e livros.É,eu quero de volta minhas paredes repletas de fotos de pessoas que nunca vou conhecer. Eu quero que os risos espontâneos motivados por qualquer coisa voltem.
Eu nunca vou entender essa seriedade fria que move o mundo,essa compostura que olha torto as manifestações do que realmente importa. Essa força que faz com que erros tornem-se inumanos ou que,pior,que o perdão não seja política da empresa. Como se a vida algo tão desimportante quanto uma empresa.
Acho que o que tenta ser dito nesse pequeno fragmento confuso de pensamento,nesse texto,é que tudo está tão mecânico,tão enevoado e sombrio.Mas talvez,seja apenas uma percepção de momento de alguém que se afundou na monotonia por tempo demais.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Insone.

A lembrança dela te acorda. E o gosto daqueles dentes miúdos ainda está na sua boca. Com que frequência há um diálogo entre nós ultimamente? Tudo está fora do lugar,
Você se importa muito pouco.Seu mundo agora tem mais cabelo que altura,você perdeu o rythm e o blues. Um perfeito estranho. Me surpreende que você ainda saiba o meu nome.
E eu estou nessa confusão,contida,calada.Com raiva das pequenas e insignificantes semelhanças entre os nossos dias.Meus pertences espalham-se pelo chão do quarto e eu não me importo nem um pouco em guardá-los.
Picadas de mosquito,o óleo quente espirrando e o fato de eu ter imaginado que a sua janela piscou:nada disso me incomada mais.
Agora,resta saber o que farei com esse amor que corre nas minhas veias e fode com o meu cérebro.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Viva la vida.

Chove papel prateado,taças de champangne são erguidas.A pista de dança é liberada,a noite vai ser boa.As luzes são hipnóticas e as batidas bem ritmadas fazem cada movimento parecer parte de uma coreografia.
Pulos,gritos,alegria alcoólica. Tudo resume-se em sorrisos,frases urradas ao pé do ouvido,sim,urradas.A música está alta demais para que se possa fazer ouvir sem gritar.Beijos intensos,cabelos agora no rosto colados e toda a arrumação começa a desfazer-se.O fim está próximo.
Lágrimas de despedida rolam soltas em rostos conhecidos onde nunca havia-se visto o choro livre e intenso.Então,é como se houvesse um retroceder parcial.O salão está novamente vazio,cadeiras estão fora do lugar,copos e restos sobre a mesa. O papel prateado jaz pisado no chão.
Finalmente acabou.Não estamos mais no ensino médio.

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Caríssimos leitores,alguns de vocês sabem que há dois meses terminei o ensino médio.Porém,apenas agora sinto-me segura o suficiente para mostrar algo que escrevi há algumas semanas como um adeus definitivo. É engraçado,depois de ter alcançado o principal objetivo,a vaga na federal,eu estar sentindo uma saudade tão grande,como deve ser uma abstinência. No entanto,acabou. E,novamente,eu só vou valorizar algo,em sua plenitude,depois de seu término.
Mas,não lamento. Ser a formanda mais nova da turma,com 17 anos recém completos,foi incrível.

ADEUS,ENSINO MÉDIO.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Surrealismo Crônico.

Tudo começou colorido.Com muitas risadas e poucos caprichos. Mas,aos poucos as cores tomaram tons diferentes e reorganizaram-se na tela.
Eu mudei.Você mudou.Mudamos. Juntos ou não,tornamo-nos outras pessoas com o mesmo nome,a mesma aparência.E isso fez,para mim,toda a diferença. Amo-te, a ama. Não existe conciliação e você se preocupa com a minha dor.
Essa confiança tranquila tem mais efeito sobre mim do que teriam palavras violentas ou desdém. Esse suporte,toda essa compreensão transmuta-se em uma aversão voltada do meu meu ID para a minha carne.
Eu não quero um amigo leal,eu não quero um ombro acolhedor.Eu quero o amante canalha e sem escrúpulos,mas você,em sua imensa doçura não compreende. Suas lentes de contato estão trocadas,e então,você enxerga tudo na cor diferente da realidade.
Não se preocupe.Não se zangue.Não se abale.
Tudo dá certo quando chega ao fim. E,finalmente,parece que eu vou acertar.


Carolina.

Luís sujou o dedo com a única gota de sangue presente na folha.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A libélula.

Tudo é silêncio. A libélula entra pela janela.Leve e faceira,quase graciosa. Parece sustentada por fios invisíveis aos meus olhos míopes e limitados.Ela ricocheteia nas paredes,acerta o ventilador.Achando que ela está morta,rio da sua dor.
Ela,no entanto,é valente,cai e começa a arrastar-se pelo chão.Pobre lavadeira!Presa em um inferno tantálico,os seus minutos contados.Pela última vez ela sobe no ar,novamente as paredes vai ricochetear,e então,encontra o lustre,iluminado e quente demais.
Eu escuto asas debatendo-se ,volta o silêncio.Agora,as partículas de luz que iluminam meus escritos contém fragmentos da valentia "libelulesca".
Decidi-me. Você não será meu lustre.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Um Nascimento

Os olhos fixos a expressão fechada - cara de mau.
Fones no ouvido,punhos cerrados - dentes a mostra
Oh,não! Ele me deixa descomposta.

Andar firme,selvagem,animal.
Postura de lebre,físico de sapo,
Não,ele não está em farrapos.

Ainda questiono aquela pose,
O olhar vago.
Ah,não é nada,só mais um apaixonado.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Parte de Alguém

Eu preciso de você,
Sentir sua bochecha sob meus dedos
Preciso me lembrar
Da minha reação
Aos seus Beijos.
Minha mão precisa sentir
Novamente a ternura dos seus lábios
Para que se recupere e volte
A escrever versos cálidos.
Meu coração precisa ouvir
Que você é de ninguém,
Ou ao menos ser reconhecido
Como parte de alguém.