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terça-feira, 9 de março de 2010

As superfícies listradas.

Chloé encarou a superfície listrada do papel,sua visão ligeiramente obscurecida pelos cabelos negros. Resolveu transformar ,então, um verso esquecido em conto.
As emoções estavam tão espalhadas,distribuídas pelo seu ser,que provocavam um frio na barriga,uma sensação de borboletas no estômago,permanentes.

Chloé começou a divagar sobre a luminosidade fraca que entrava pela janela do quarto.

Eric encarou o violão incrédulo. Os acordes,ainda que belos,se excederam na complexidade,no sentido.
A música deixou de ser um modo de expor o próprio talento. Tornou-se uma confidente,invasiva como uma mãe.Seus sentimentos estavam expostos em uma feira de partituras que corriam soltas,quase livres.
Após algum esforço,terminou uma bela melodia.

Chloé estava maravilhada. Em um jorro súbito de inspiração,transformara aquele verso,pai solitário de um conto,em um poema com forma e esquema de rimas sofisticado. Era,na realidade,bem original.
Do alto do seu encantamento,no entanto,Chloé ainda não sabia que havia escrito a letra de uma canção.

Um comentário:

Fábio Racoski disse...

O casamento entre melodia e canção, a paixão...

Mais um ótimo texto para ler e sentir!