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quinta-feira, 18 de março de 2010

O terminal.

Finalmente chegou ao terminal rodoviário.Os semblantes cansados em fila facilmente poderiam representar os muitos outros que passam por ali todos os dias.
Os vendedores,esses sim,são os ilustres desconhecidos de todos os dias. No entanto,as vozes que normalmente anunciam todo tipo de bebida no calor infernal do Rio de janeiro,agora,soam fracas.Como rádio cuja pilha aos poucos se esvai.
O chão,castigado e encardido,está molhado dos pingos de chuva que infiltram o teto e da água que pinga dos muitos guarda chuvas que são sacudidos.Sobre ele ainda há lixo,papéis e inúmeros tocos de cigarro.
Mas não,isso não ilustra a miséria de um ambiente,mas os diferentes níveis da decadência humana. A impaciência torna-se palpável no ar - ou quase. Há muito já foi aprendido que percepções pessoais dos membros da minoria dificilmente são um retrato válido do que se passa com os outros.
A demora é rotina,assim como entreouvir as muitas conversas frívolas. Não leve esses escritos tão a sério.Afinal,ela só tinha 17 anos.




Bárbara Reis-17/03/2010-21:00
Terminal João Goulart/Niterói-Rio de Janeiro.

Um comentário:

Fábio Racoski disse...

Poeticamente bela a forma que retrataste o terminal. Mais um belo texto!