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terça-feira, 27 de abril de 2010

IDentidade.

Minha identidade está refletida no espelho.
Mas,para aqueles que perguntam,
Ela é só mais um número de registro no governo.

Para mim,ela é um degradé de cinzas
É densa como petróleo.
Mas o observador só vê o brilho do linóleo.
Da minha poça azul petróleo.

Pobre identidade!
Ela esconde a minha verdade
Sob falsos pretextos,argumentos e falácias.

Mas o meu ID a abrevia
E vilmente me controla,
Enquanto a vida mostra-me vias
E o desespero me assola.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Heartbreak Station.


A ordem da minha pouca sanidade é clara:

Expelir você da minha mente

Do modo como eu faria

Com uma pedra no rim.


Eu canto,digo em voz alta

E repito.

O meu mantra,

É uma heresia.


Me pego cantarolando que você

"Tomou um trem" para fora

Do meu coração.


E eu posso usar metáforas,

Abusar das comparações,

Mas nada é complexo o suficiente

Para definir você.


No fim,o que eu queria,

De verdade,

Era me contentar apenas com

Um aperto de mãos.


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Queridos leitores,perdoem a minha pieguice.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cléo.

Parece um motorzinho sobre quatro patas,
O nariz úmido e rosado
Da malabarista que gosta
De se enfiar em buracos.

Ela brinca,pula e rola,
Sacode-se perseguindo qualquer coisa
Ao léo.
Não é o superman,nem um avião.

É a minha gata,Cléo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Plástico Bolha.

Ela estava sentada na varanda. A cabeça baixa,os cabelos brilhantes cobrindo-lhe os olhos curiosos.
Estourar compulsivamente o plástico bolha lhe rendia um prazer imenso. Romper cada círculo de plástico,para ela,tinha um significado incrível. Ela se perguntava como seria se pudesse romper cada bolha habitada por seres humanos,o quão diferente as coisas poderiam ser.
O plástico,depois de rompidas as bolhas,ficava uniforme - ou quase.Você prestaria mais atenção ao próprio plástico,não as centenas de bolhas macias que clamam por um aperto. Na realidade,seria a melhor forma de distorcer o conceito "world as one". Porque as marcas permaneceriam. Não seria tão uniforme assim,as chagas continuariam lá,redondas,sem as bolhas que antes as protegiam.
Alice colocou uma mecha dos cabelos atrás da orelha e ergueu a cabeça. Talvez,se ao invés de deixar o plástico "uniforme" estourando as bolhas,essas,tão fortemente mencionadas,fossem mais maleáveis,tudo se resolvesse.Isso! Essa era a solução. Não rompê-las,mas uni-las e formar uma única grande e forte bolha,de modo que as chagas permanecessem protegidas.
Mas,e os habitantes das bolhas? Alice se perguntou,e estava pronta para continuar as divagações,mas uma vozinha no fundo da sua mente disse que nada,nunca seria como um país das maravilhas e que,se ela quisesse melhorar das bolhas ao mundo,deveria passar a se chamar Poliana.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Olhos Claros.

As linhas marrons da folha
Confundem meus olhos míopes,
Tão limitados.

Esse tom de bege
Me lembra seus olhos
Castanhos,verdes,claros.

Olhos que me observam com candura
Enquanto refreio meus
Tímidos sentimentos.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Métrica Alcoolizada.

Sua presença é forte como jazz ritmado,
Embalado pelo queimar
De algum destilado.

Você me coloca à sombra
Do mesmo modo que o rum faz
Com o sabor do abacaxi
E com o açúcar do leite condensado.

E eu odeio o fato
Das diversas baladas melódicas me lembrarem você.
Sem tentar, você é pior que o álcool.

Não basta quebrar minha concentração,
Vedar minha inspiração.
Escrever sobre você é ter
Uma dose de rimas pobres.

E um punhado de esquecimento.