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sábado, 26 de junho de 2010

Sobre maçãs.

  Eu não sabia como começar esta crônica(?). Na realidade,depois que o fato passou eu achei o seu relato quase simples demais.
 Era domingo,pouco antes das 23hrs e eu já estava de pijamas,confortavelmente sentada no sofá dos meus avós,assistindo a televisão e rindo de mais um dos comentários astutos do meu avô. Mais cedo,naquele mesmo dia,logo após a minha chegada,minha avó avisou que havia comprado maçãs.Lindas,rubras,mas maçãs apenas. Eu havia acabado de perder os óculos e as maçãs não corrigiriam meus seis graus de miopia.
 A tarde passou e eu ,durante toda ela,me mantive de óculos escuros que eram,afinal,os únicos que eu tinha de grau igual aos do queridinhos perdidos. A dor de cabeça causada pelos óculos escuros usados à noite atingiu seu auge quase às onze da noite,praticamente no mesmo momento que relatei no primeiro parágrafo,quando ri do comentário do vovô,naquele momento,minha avó declarou que ia comer uma maçã.
 O leitor deve estar se perguntando o que há de tão interessante em uma senhora comendo uma maçã. Isso,eu descobri: tudo. Ok,talvez seja exagero,mas eu aprendi muita coisa com aquela atitude simples. Minha avó pegou a maçã,a cheirou e,verdadeiramente,houve um brilho diferente em seus olhos. Ela caminhou na minha direção e disse: "-Tem coisas na vida que a gente não esquece nunca. Quando eu era criança,nós não tínhamos dinheiro para comprar maçã e,no natal,na igreja onde meu pai nos levava,eles distribuíam brinquedos e... maçãs. Acabou que eu não continuei ligando muito para o cheiro depois que pude comprá-las."
 Eu senti meus olhos marejados. Levantei,então,e peguei uma maçã. Eu a lavei como se tivesse em mãos um cristal raro e frágil,como se aquela fosse a última maçã do mundo.Para mim,sua cor estava entre o vermelho e o dourado.A mordi. Estava macia,suculenta e extremamente doce.Eu finalmente entendi o que era vontade de comer,cada mordida foi dada como se o mundo fosse acabar no minuto seguinte e aquela fosse a forma de escapar disso. E,naqueles instantes,eu não comi só por mim. Eu tentei comer por cada um que a teria cobiçado sem poder levá-la para casa.
 Aquela,talvez tenha sido a melhor maçã do mundo. E eu quase não a comi por causa de um drama,literalmente,míope. O que prova mais uma vez que os óculos (escuros ou não) não corrigem o tipo mais grave de miopia. Doce sim,muito,mas com o fundo levemente amargo. Consegue imaginar isso? Foi o gosto daquela maçã.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Desabafo

 Na realidade,o que há,são muitas pretensões,muitas folhas soltas de um mesmo bloco mal colado.Quando tudo ficou tão complicado? Não sei.
 Aliás,se eu soubesse de alguma coisa não teria deixado nada chegar a esse ponto.O relato é cruel,verdade,mas necessário. A dor é,afinal,necessária. Nascer sem respirar a dolorosa lufada de ar? Crescer sem cair e se ralar? Morrer sem sentir as dores da velhice? Mais uma vez digo,caríssimos,a dor é necessária.
 Depois de tudo isso,entendi que um coração dilacerado nada quer dizer. É o cérebro sadio que comanda.Um coração fraco,partido,mal resolvido tem que obedecer às ordens do jeito que puder. E isso,não é negociável.