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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quando tudo está nublado

Quando tudo está nublado
O dia fica bonito.
São milhares de guarda-chuvas coloridos,
Girando por aí.

Quando tudo está nublado
A vida parece um pirulito gigante,
Com aquelas cores vibrantes
Que só caramelo tem.

Quando tudo está nublado,
Meu humor azulado tem medo de sair
E sumir por aí.

Mas isso só acontece, quando o dia está nublado.

sábado, 17 de setembro de 2011

Les versets étrangers

I miss you,me.
I miss the way things used to be.
I miss your sweet eyes and the way you hold your breath,
Just for a while.

I miss my happiness and the way you face life.
I miss you so hard and it cuts me like a knife.
But I never knew you enough,to feel like that,

And admit it makes me feel like ass.
Just go pursuit your dreams and stop haunting my mind.
'Cause boy,in anyway,you have been kind.

domingo, 14 de agosto de 2011

A menina que comia amoras

E ela correu pelo chão de concreto,pisando com força. Como criança,ela sentiu o coração acelerar e continuou naquele ritmo  até se sentir ofegante. Alguns muitos metros depois,ela chegou num pedaço de terra que havia sido resguardado do cinza. Lá,nascia torto um pé de amora. As folhas amareladas eram deformadas por mordidas de lagartas. E,ao longo do tronco,formigas andavam enfileiradas com tranquilidade.

Ela passou as mãos pelo tronco torto com doçura,murmurando em francês uma canção qualquer. E lá no alto,suas unhas carmins encontraram uma amora grande e preta de tão roxa. E,quando a fruta encontrou seus lábios,foi mais doce que amor,amora.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sobre as transformações e a vida por aí


A vida tem tomado caminhos que eu nunca pensei que pudesse tomar. Eu me vejo aberta,risonha e,ainda sim,séria e cada vez mais corporativa. Eu não tenho mais sentido tanto ímpeto em concretizar as páginas e páginas inteiras que todos os dias são formados na minha cabeça.

Acho que tenho passado por um momento meu e só meu. As alegrias e desamores estão compondo alegorias muito intensas que um dia pretendo fazer desfilarem por aí. O fato é que eu não sei o que eu sou ou o que eu quero. É uma ousadia muito grande tentar afirmar isso com certeza. A única certeza que eu quero ter é a de que não vou querer voltar atrás naquilo que acreditei com tanta força.


A vida não é um sonho,mas o que não sai como a gente pensa não precisa ser uma noite mal dormida. Ao mesmo tempo que tudo contrasta,nada precisa ser assim. Entre o preto e o branco há vários tons de cinza.É verdadeiramente incrível perceber que tudo se transforma,tudo é multifacetado. Apesar do tempo nublado,no meio do dia saem raiozinhos de sol. E isso não é otimismo,é a constatação dos fatos.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

De um ano pra cá

De um ano pra cá,muita coisa mudou.
Antes,tudo era sol,não havia sombra nos dias.
Tudo era motivo, e eu sorria.

De um ano pra cá,a realidade ganhou o peso
De um milhão de Bendegós e a minha vida talvez esteja
Imersa em uma tristeza de dar dó.

De um ano pra cá,muita coisa mudou.
De caloura inocente passei a estudante desiludida
Com as hipocrisias de uma academia,
Onde a pompa e a folia
São a energia dos pseudo-intelectuais.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A bola amarela

O menino magrelo e sem camisa
Praguejava ao vento, enquanto
Sua bola amarela
Rolava distante no valão.

Quando isso aconteceu,ele saiu da minha visão
E entraram os tapumes,supostamente erguidos
Para proteger as pessoas da favela
Da linha expressa,
Amarela. Como a vida do menino.

domingo, 15 de maio de 2011

Revolta

Que o mundo exploda em sangue
Eu quero que o horror se banhe
No barranco onde ficam os encostados.

Eu já estou de saco cheio dessa porra
Eu quero que o mundo morra
Enquanto fico na gaiola dos enjeitados.

sábado, 7 de maio de 2011

Sobre Arqueologia

Por vezes eu imagino
Meus restos sendo encontrados no escuro,
Num buraco de terra sujismundo
Inerte ao tempo.

Por vezes eu me pergunto
Como seria se um Indiana Jones da vida
Encontrasse meus escritos,num dia onde o presente será ido
E o que vivi terá sido apenas um detalhe pequeno da existência.

Enquanto trabalho nesses versos parcos,
De rimas tortas e mal formuladas,
Fico me perguntando se do ópio que é o meu ócio
Sairá alguma flor,

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Relativo Querer

 Eu quero superar o sono,
 Eu quero superar a ânsia,
 A vontade de ir à luta.

 Eu quero superar meus sonhos,
 Esquecer meus objetivos,
 Eu quero superar minha vontade de estar sozinha.

 Eu quero me conformar com pouco,
 E não sentir o peso da idade.
 Eu quero me acostumar com a sensação de mediocridade
 Que toma conta de mim.

terça-feira, 15 de março de 2011

Os sonhos da padaria

 Eu gosto de quando chego à padaria e o balcão está cheio daqueles sonhos frescos,ainda mornos. Gosto da facilidade de se alcançar sonhos dentro de uma padaria,acho que eu ia gostar se padarias fossem universos alternativos.Mas esse trocadilho tão óbvio ainda não é a questão.
Acabo de chegar da padaria. E sim,estou digitando com os dedos ainda melados de creme,açúcar e canela. Se o leitor está achando que caminhei nessa chuvinha fina e irritante apenas para comprar um sonho da fornada diária,está enganado. Eu saí do auge do meu conforto para comprar... papel higiênico. Sim,comprei-o na padaria.
Vou explicar: Levo uma vida de universitária semi independente que mora sozinha e,ao contrário do que possam imaginar,cozinho bem mas.... tenho aversão a supermercados.Compro quase tudo que preciso na padaria,incluindo o famigerado papel higiênico. Vamos retornar ao ponto antes que eu me esqueça dos sonhos. Depois de pegar o papel,estava indo em direção ao caixa quando vi dois sonhos solitários na bandeja. Ao redor deles,estavam espalhados pedaços de creme dos outros sonhos,assim como algumas forminhas de papel manchadas de açúcar.
Então pensei: A balconista pegou os sonhos com brutalidade,despedaçou o recheio,deformou os sonhos,os adaptou ao momento que exigia pressa e eficiência. Os que tornaram-se donos dos sonhos,por sua vez,provavelmente não ligaram para o que foi desperdiçado porque o sonho,no geral,apresentava-se inteiro.Foi no meio dessa divagação que eu me perguntei: "E se o que foi desperdiçado era a melhor parte do sonho? E se esses punhados de creme são mais doces e suaves que os que foram mantidos no sonho?".
Fiz questão de que o meu sonho fosse embrulhado com cuidado,e acho que o comi com um cuidado ainda maior. No meio daqueles pensamentos,uma ideia me ocorreu: Se você não sabe aproveitar corretamente os sonhos da padaria,suas vontades na vida serão sempre sonhos mal embrulhados e não degustados. Eles vão estar sempre presos e condicionados ao "E se..." e  nunca serão metas,apenas sonhos desejados por todos e tão genéricos quanto os que se encontram no balcão de qualquer padaria.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Ela odeia o que vê no espelho, e essa  porra de vidinha classe média
Ela odeia a descrença dos outros,ela odeia se deixar atingir
Ela só não corta os pulsos,porque enquanto há vida há esperança,
E talvez em tempos de bonança,
Alguma alegria ouse vir.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Busy

I was trying to find
A way less rude
To say it.

But I discovered I can't do this easily,
'Cause I'm too busy
Changing myself.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Carolina e a Incompreensão

"Diferentes expressões transitam na praça de alimentação.Tristes,alegres,confusas. Os olhos exibem uma objetividade,os gestos parecem ensaiados.Tudo parece arquitetado para criar o mais perfeito romantismo de shopping center."


 Ela estava sentada em um canto visível,sob um largo feixe de luz.Para os expectadores,ela rabiscava letras aleatoriamente em um guardanapo. Mas Carolina via sua pulsação tomando forma,de um jeito mais verdadeiro do que o que tomaria em um eletrocardiograma.
 Havia um burburinho desconcertante no ar,uma inquietação irritante. As pessoas se comunicavam vivamente,muito era dito.Mas porquê? Qual era a importância real do que era falado?
 Amenidades dominavam as conversas e,sem dó ou piedade as pessoas perdiam a chance de dizer aquilo que realmente importava.As palavras teimosas que vinham através da ânsia a boca eram deglutidas e transformadas em borboletas,no estômago.
 Isso fugia a compreensão de Carolina.Sentada onde estava,ela sentia o frio provocado pelo ar condicionado. E só.O burburinho por vezes parecia composto por palavras em alguma língua estrangeira,as palavras que escapuliam e soavam mais altas eram incompreensíveis.
 Do mesmo modo que Carolina não compreendia as palavras que saltavam das conversas alheias,os envolvidos nelas nem sempre se entendiam.
Todos falavam o mesmo idioma,mas a compreensão simplória e grosseira dos ouvidos não é,de fato,a mesma do coração.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Fragmentos de Sexta Feira

 É sexta feira e o terminal está apinhado de gente. Os vendedores de rosa as anunciam rudemente. Nas cercas onde bate a brisa do mar,casais (apaixonados ou não) buscam trazer para as próprias vidas algum tipo de emoção.
A beleza do céu é uma ofensa àqueles que não estão ao ar livre ou que não podem ver. Mas o pior,é quem se depara com esse cenário sem enxergá-lo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

This Charming Man


"Leitores queridos,sugiro que ouçam "Old love" do Eric Clapton antes da leitura. No fim do post,há uma playlist que expressa mais os meus sentimentos em relação ao "conto",se forem ouvir,ouçam na ordem que coloquei"


De algum modo eu quis saber o que foi sentido na exata hora em que aquelas palavras foram digitadas.
"Ah,normal",essas seriam suas palavras,eu aposto. Mas porque eu deveria considerar sua praticidade numa hora dessas?
Eu sei,esse provavelmente é apenas um dos meus devaneios lunáticos. Mas cada troca simples de palavras me parece mais uma experiência transcedental...

Layla viu o cursor piscar onde ela supostamente deveria continuar a escrever o e-mail. O que ela escrevia parecia afoito,desesperado. Ela castigou o teclado com tanto afinco,mas tudo que conseguiu foram umas poucas linhas. Mas,o que diabos deveria escrever? Talvez a verdade fosse intensa e vexante demais. Ou talvez a verdade dela não fosse aquela que Jeremy possivelmente quisesse ouvir.

O cursor continua piscando num ritmo impaciente.

Era estranho. Eles mal se conheciam. Pelo menos para os padrões dela,que fazia questão de travar relações tão profundas quanto fossem possíveis (Ou pelo menos até a profundidade torná-las desagradáveis). E ele... a confundia. Aliás,essa era uma verdade bastante simples: Ela sabia perfeitamente que não o amava,ainda não,como se o que ela sentisse no momento fosse sagrado como um amor antigo. Mas o seu interesse "crescia como tinha que ser"(ou pelo menos como cantava a música que saía do rádio). Eles eram tão parecidos,tão parecidos que as diferenças podiam ser facilmente desconsideradas.


O cursor continua piscando num ritmo impaciente.

Layla bufou audivelmente,talvez fosse mais fácil se ela imitar o Mark Knopfler e escrever "you and me,babe. how 'bout it?".

Isso a irritava. Ela era algo entre o irritado e irritável,confusão mental não fazia parte do seu amplo pacote de defeitos ou qualidades. Olhou para o relógio: há duas horas estava tentando redigir o maldito e-mail. Internamente ela rogou uma praga para o infeliz que teve a ideia de criar as redes sociais,como se todas as mazelas do mundo fosse culpa delas.

Pouco mais de um ano antes ele a havia encontrado em uma e,a partir daí,os contatos ficaram mais frequentes. Mas o que havia demais nisso? Eles haviam sido colegas de turma por uma série,certo? Layla prendeu o cabelo em um coque,com violência. A janela do messenger piscou, e ela viu quem tanto queria.


O cursor se moveu,apagando em um movimento fluido os caracteres que foram tão arduamente pensados antes da digitação.


"hey o/"

Depois disso,palavras sobre assuntos amenos foram tudo que ela disse.

Mas quem é culpado,afinal? Atrás de um "hey",existem múltiplos significados... Ah,a comunicação controversa dos tempos modernos!



Playlist:

Old Love - Eric Clapton
Layla - Eric Clapton
Jeremy- Pearl Jam
Romeo and Juliet - Dire Straits
Modern Romance -Yeahyeahyeahs
This Charming Man - The smiths

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Nós olhamos.

Eu olho
Tu olhas
Ele olha
Mas ninguém de fato vê.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

 Eu acho incrível como as pessoas verdadeiramente são capazes de passar por cima daquilo que prometeram um dia. Não acredito no mito do amor romântico que dura para sempre,ou em sentimentos avassaladores a primeira vista. Mas acredito em respeito. Isso é o mínimo que se espera,o respeito pelo que é vivo.
 Então, pelo menos era esperado que duas pessoas que teoricamente se amavam fossem capaz de se respeitar.Pelo visto,não é assim que as coisas funcionam. Ofensas foram atiradas como adagas e,aparentemente,foi esquecido que o alvo era outro ser humano.

Chega,não consigo mais escrever. Desculpem por isso.