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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

This Charming Man


"Leitores queridos,sugiro que ouçam "Old love" do Eric Clapton antes da leitura. No fim do post,há uma playlist que expressa mais os meus sentimentos em relação ao "conto",se forem ouvir,ouçam na ordem que coloquei"


De algum modo eu quis saber o que foi sentido na exata hora em que aquelas palavras foram digitadas.
"Ah,normal",essas seriam suas palavras,eu aposto. Mas porque eu deveria considerar sua praticidade numa hora dessas?
Eu sei,esse provavelmente é apenas um dos meus devaneios lunáticos. Mas cada troca simples de palavras me parece mais uma experiência transcedental...

Layla viu o cursor piscar onde ela supostamente deveria continuar a escrever o e-mail. O que ela escrevia parecia afoito,desesperado. Ela castigou o teclado com tanto afinco,mas tudo que conseguiu foram umas poucas linhas. Mas,o que diabos deveria escrever? Talvez a verdade fosse intensa e vexante demais. Ou talvez a verdade dela não fosse aquela que Jeremy possivelmente quisesse ouvir.

O cursor continua piscando num ritmo impaciente.

Era estranho. Eles mal se conheciam. Pelo menos para os padrões dela,que fazia questão de travar relações tão profundas quanto fossem possíveis (Ou pelo menos até a profundidade torná-las desagradáveis). E ele... a confundia. Aliás,essa era uma verdade bastante simples: Ela sabia perfeitamente que não o amava,ainda não,como se o que ela sentisse no momento fosse sagrado como um amor antigo. Mas o seu interesse "crescia como tinha que ser"(ou pelo menos como cantava a música que saía do rádio). Eles eram tão parecidos,tão parecidos que as diferenças podiam ser facilmente desconsideradas.


O cursor continua piscando num ritmo impaciente.

Layla bufou audivelmente,talvez fosse mais fácil se ela imitar o Mark Knopfler e escrever "you and me,babe. how 'bout it?".

Isso a irritava. Ela era algo entre o irritado e irritável,confusão mental não fazia parte do seu amplo pacote de defeitos ou qualidades. Olhou para o relógio: há duas horas estava tentando redigir o maldito e-mail. Internamente ela rogou uma praga para o infeliz que teve a ideia de criar as redes sociais,como se todas as mazelas do mundo fosse culpa delas.

Pouco mais de um ano antes ele a havia encontrado em uma e,a partir daí,os contatos ficaram mais frequentes. Mas o que havia demais nisso? Eles haviam sido colegas de turma por uma série,certo? Layla prendeu o cabelo em um coque,com violência. A janela do messenger piscou, e ela viu quem tanto queria.


O cursor se moveu,apagando em um movimento fluido os caracteres que foram tão arduamente pensados antes da digitação.


"hey o/"

Depois disso,palavras sobre assuntos amenos foram tudo que ela disse.

Mas quem é culpado,afinal? Atrás de um "hey",existem múltiplos significados... Ah,a comunicação controversa dos tempos modernos!



Playlist:

Old Love - Eric Clapton
Layla - Eric Clapton
Jeremy- Pearl Jam
Romeo and Juliet - Dire Straits
Modern Romance -Yeahyeahyeahs
This Charming Man - The smiths

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Nós olhamos.

Eu olho
Tu olhas
Ele olha
Mas ninguém de fato vê.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

 Eu acho incrível como as pessoas verdadeiramente são capazes de passar por cima daquilo que prometeram um dia. Não acredito no mito do amor romântico que dura para sempre,ou em sentimentos avassaladores a primeira vista. Mas acredito em respeito. Isso é o mínimo que se espera,o respeito pelo que é vivo.
 Então, pelo menos era esperado que duas pessoas que teoricamente se amavam fossem capaz de se respeitar.Pelo visto,não é assim que as coisas funcionam. Ofensas foram atiradas como adagas e,aparentemente,foi esquecido que o alvo era outro ser humano.

Chega,não consigo mais escrever. Desculpem por isso.