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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Carolina e a Incompreensão

"Diferentes expressões transitam na praça de alimentação.Tristes,alegres,confusas. Os olhos exibem uma objetividade,os gestos parecem ensaiados.Tudo parece arquitetado para criar o mais perfeito romantismo de shopping center."


 Ela estava sentada em um canto visível,sob um largo feixe de luz.Para os expectadores,ela rabiscava letras aleatoriamente em um guardanapo. Mas Carolina via sua pulsação tomando forma,de um jeito mais verdadeiro do que o que tomaria em um eletrocardiograma.
 Havia um burburinho desconcertante no ar,uma inquietação irritante. As pessoas se comunicavam vivamente,muito era dito.Mas porquê? Qual era a importância real do que era falado?
 Amenidades dominavam as conversas e,sem dó ou piedade as pessoas perdiam a chance de dizer aquilo que realmente importava.As palavras teimosas que vinham através da ânsia a boca eram deglutidas e transformadas em borboletas,no estômago.
 Isso fugia a compreensão de Carolina.Sentada onde estava,ela sentia o frio provocado pelo ar condicionado. E só.O burburinho por vezes parecia composto por palavras em alguma língua estrangeira,as palavras que escapuliam e soavam mais altas eram incompreensíveis.
 Do mesmo modo que Carolina não compreendia as palavras que saltavam das conversas alheias,os envolvidos nelas nem sempre se entendiam.
Todos falavam o mesmo idioma,mas a compreensão simplória e grosseira dos ouvidos não é,de fato,a mesma do coração.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Fragmentos de Sexta Feira

 É sexta feira e o terminal está apinhado de gente. Os vendedores de rosa as anunciam rudemente. Nas cercas onde bate a brisa do mar,casais (apaixonados ou não) buscam trazer para as próprias vidas algum tipo de emoção.
A beleza do céu é uma ofensa àqueles que não estão ao ar livre ou que não podem ver. Mas o pior,é quem se depara com esse cenário sem enxergá-lo.