Translate

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Covardia

E de repente, me dei conta de que não escrevia desde novembro. Quer dizer, tecnicamente escrevo e sou lida todos os dias. Mas não é disso que estou falando.

Existem um milhão de textos na minha cabeça. Existem zilhões de sentimentos dentro de mim em mais nuances do que sou capaz de contar. Mas existe também uma terrível covardia. Por algum motivo escrever alguma coisa é trazer essa "coisa" a realidade. E, por alguma ironia do destino, geralmente escrevo sobre os diferentes aspectos das angústias que tenho.

Ainda não entendo o porque do bloqueio. Passei meses tentando escrever e,em novembro, perdi a batalha. Enquanto bato o meu teclado agora, sinto em meu peito uma ardência e um cansaço que são dignos de um moribundo. É estranho como eu pude me afastar de um modo tão cruel de algo que sempre foi fonte de um conforto tão imenso.

Analisando racionalmente, talvez a minha parada repentina tenha relação com o modo como sou tão crítica comigo mesma. Minha incapacidade de sentir alguma compaixão pelo que eu mesma produzo deve ter me freado. Ou talvez não. Não sei.

Tenho inúmeros textos,crônicas e poesias na cabeça. Todos irritantemente repetitivos. Todos dolorosamente bossais. Mas eu resolvi que vou trazê-los a vida mesmo assim. Talvez isso seja uma forma de criar um exército de pequenos monstros que eu mesma terei que destruir depois, talvez isso seja organizar meia dúzia de conflitos de um jeito visual que me permita resolvê-los. Ou não. Definitivamente não. Minha mente não é um tabuleiro de war. Ainda.

É isso. Não vou deixar minha Efusão Lírica acabar de um modo tão repentino. Não. Ela merece mais que isso.